............................................................... gosto de bagunçar as coisas e começar tudo outra vez ........................................................

Cem anos através do espelho

deveria ser um ensaio (?)
E “A única pessoa infeliz naquela celebração estrepitosa, que se prolongou até o amanhecer de segunda-feira, foi Rebeca Buendía. Era a sua festa frustrada”. Rebeca foi adotada pelos Buendía ainda criança. Sofria da peste da insônia e quando o desespero lhe invadia, aprazeva-se degustando terra. Insensata, inquieta em sua cadeira de balanço e inconformada com o vazio que insistia em fazer frias suas noites perdidas, se entregou a amores incompletos que acreditava dar sentido a seus supostos surtos de insanidade, afinal a solidão que guardara desde menina não lhe era suficiente. É um misto de essência e mistério, realidade e magia – justificando o próprio estilo da obra. Falta de pudor, força de vontade, alta capacidade para se mascarar e se esconder de tudo aquilo que, com fúria, tenta lhe aniquilar o peito. Porque é necessário ser ótimo artista para não permitir que, com facilidade, suas verdades sejam vistas por olhos alheios. E esconder o inflamar de uma paixão só é possível enquanto os gritos do coração ainda nos obedecem. E talvez Realismo Mágico não se encaixe concretamente em meu espelho porque a magia pressupõe a realidade e incansavelmente a transforma, porque do outro lado eu me encontrava, “dizendo palavras que não saíam dos lábios e fazendo sinais misteriosos que não correspondiam aos meus gestos”.

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